Em minha história como aluna, só aprendi a ter uma consciência crítica quando entrei na universidade. A graduação, no ambiente da UFBA, me ajudou a criar uma consciência social, uma característica forte daquela universidade. Entretanto, quando entrei no mestrado, percebi que me faltava uma consciência para saber criticar o conhecimento transmitido. Com o mestrado, aprendi a questionar, a investigar, a identificar que uma informação , por mais formal que seja, possui uma visão humana, e pode ser interpretada de diferentes maneiras, e ser contestada por diferentes perspectivas.Analisando a minha experiência, acredito que essa realidade também tenha se repetido com muitas pessoas, e a ausência de formação crítica no ensino básico, deve ter sido a realidade da maioria . Então, me questiono: o que falta para a educação no Brasil permitir a consciência crítica na formação fundamental de um cidadão?
Temos tantos exemplos de educadores que marcaram a nossa história defendendo uma educação política e consciente, nos ensinando como educar. Monteiro Lobato marcou a educação por conseguir transmitir na literatura infantil uma realidade crítica do Brasil, mesmo sob a censura da ditadura, desmistificando a ideia de que crianças não devem conhecer a realidade. Paulo Freire, educador de grande referência, mas não muito lembrado como referência, defendia uma educação política, priorizada pelo respeito às diferenças. Um pensamento do educador, que reflete bastante essa educação consciente, diz:
“Alguns pensaram que por defender o diálogo eu negava o conflito. O conflito está aí e é fundamental no desenvolvimento e no processo histórico. A luta me faz, a luta me constitui, a luta me forma. Ela é pedagógica”.
Ele também dizia que:
"A escola é para ensinar, e o conhecimento que é passado pelos professores deve ser significativo, senão o estudante só vai memorizar e não aprender. O educador deve despertar no aluno a curiosidade de querer saber”.Infelizmente, muitas vezes, ser educador no Brasil não é uma escolha baseada na vocação. Essa, ainda é, a profissão de fácil acesso, principalmente em regiões de economia fraca, como o interior do país. Muitos educadores não gostam do que fazem, são acomodados por uma "mesmice" que se repete a cada ano, usando a educação como um instrumento mecânico para seu auto-sustento, esquecendo da responsabilidade da formação. Então, esses educadores não se preocupam em se capacitar, em inovar no ensino, em assumir suas falhas...
Mas, o problema maior vem da nossa estrutura política e econômica, e não depende somente desses educadores a mudança de paradigma na formação. Isso envolve muitas ações governamentais que infulenciará no crescimento do país, e acredito que demorará mais alguns anos para atingir uma evolução significativa. Entretanto, acredito, sim, que vamos melhorar!
Mesmo a ciência, com tantos experimentos, tantas pesquisas, tanto estudo, mesmo ela pode ter falhas, como você bem falou. Ter uma visão crítica é essencial. Também acredito que vamos melhorar, a passos lentos devido ao desinteresse dos nossos representates na política em investir (de verdade) em educação, mas vamos melhorar. Eu também acredito!
ResponderExcluirAline Alencar (www.alinealencar.com.br)