"Às vezes tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que, ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconsciente, eu antes não sabia que sabia.” Clarice Lispector

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O bom uso do Elogio

Semana passada vi na capa da super interessante: "Elogios nos deixam burros". O título parece ser bastante polêmico e negativo. Não concordo com sua totalidade, pois considero que um elogio tem sua importância quando ocorre na intensidade e no momento adequado, pois pode estimular na busca por melhores resultados. Entretanto, o elogio também tem potencial de estrago, quando assimilado de maneira negativa. Então, qual seria o limite de um elogio?

Vejo três problemas claros que podem ser gerados com o elogio:
  • A Vaidade. Considero esse o maior dos pecados gerados pelo elogio, uma força contrária para o crescimento. Quando nos envaidecemos, perdemos a humildade e ficamos cada vez mais incapazes de assumir nossas fraquezas.
  • A Dependência. Quando nossa estima está condicionada a opinião alheia, criamos uma dependência de reconhecimento externo para enxergarmos nossas qualidades. E, então, ficamos parecendo uma peça de cristal: exuberante, porém, sem resistência e dependente de cuidados alheios, basta alguém empurrá-la que "quebra". E ainda há um outro risco: Será que todo elogio é real?
  • A Inveja. O outro, quando quer o lugar do elogiado, se consome pelo sentimento de inveja. Tem a inveja "inofensiva", que também queria ser elogiado. Do outro lado, tem a inveja egoísta e competitiva, que não aceita elogio compartilhado. E o pior é quando ela chega "cega", quando não consegue ver méritos no elogiado, e tende a criticá-lo.

A inveja pode ser evitada pelos cuidados de quem elogia, buscando não ferir involuntariamente as pessoas que estão por perto. A vaidade e a dependência são melhor controladas pelo elogiado, mas também podem ser evitadas com o uso de elogios apropriados. Achei muito bom o exemplo apresentado pela superinteressante, que descreve a diferença entre dois elogios após os resultados de uma avaliação: 1) "Você deve ser muito inteligente"; e 2) "Você deve ter se esforçado muito para conseguir esse resultado".

Mas será que a auto-estima não seria a melhor receita para aceitar o elogio alheio e receber bem o seu elogio?

3 comentários:

  1. Interessante reflexão... Essas três coisas que você citou: vaidade, dependência e inveja, são extremamente destruidoras se não tratadas da forma correta.
    O risco que você colocou "Será que todo elogio é real?" é também uma outra coisa comum de acontecer. Muitos elogios são feitos somente para agradar e, com isso, ganhar algo em troca. Esse tipo sinceramente seria melhor nunca receber. A Bíblia diz "É melhor ouvir a repreensão de um sábio do que escutar elogios de um tolo." (Eclesiastes 7:5) e é ruim ser enganado com elogios falsos, você corre os riscos da vaidade, dependência e inveja por uma coisa que nem era real.
    Às vezes as críticas, feitas por quem pode fazer e de forma sincera e amável produzem muito mais coisas positivas do que os elogios. Mas estes são também muito importantes, por isso vou lhe elogiar sinceramente: Você escreve muito bem!!! É sempre bom refletir com seus textos :). Beijos...

    Aline Alencar (www.alinealencar.com.br)

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  2. Verdade, Aline. A crítica, quando construtiva, vale mais que mil elogios.

    Obrigada pelo elogio :). Vou usar minha reflexão para não me envaidecer, nem criar dependência. Vou "pegá-lo" como estímulo para escrever mais vezes :p.

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  3. Irmã, como é positivo refletir acerca de seu pensamento...

    Te amo infinitamenteee...
    Dani

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